Oficina de Fios e Tecidos do PTI forma 26 mulheres

14-11-2016

Quanto mais se aproximava a data da formatura da Oficina de Fios e Tecidos, promovida no Parque Tecnológico Itaipu (PTI), mais lágrimas eram derramadas pelas 26 participantes. Elas tiveram oito meses de curso para aprender a fazer arte com as mãos, mas o aprendizado e os ganhos foram muito maiores. Desde o aumento na autoestima e as novas amizades até uma melhora para o bolso, com um aumento de renda para algumas. Nesta quinta-feira (10), na cerimônia de encerramento da oficina, a emoção foi geral.
A oficina foi organizada pelo PTI em parceria com a Cooperativa de Artesanato da Região Oeste e Sudoeste do Paraná (Coart). Depois da entrega de certificados e homenagens das alunas às professoras e colaboradoras do Parque responsáveis pelo curso, toda a turma comemorou com um passeio no barco Kattamaram.

Na sexta-feira da semana passada (04), as participantes foram às passarelas do Espaço Ñandeva para desfilar com bolsas e aventais produzidos em um dos módulos do curso, como um pré-encerramento. A timidez de muitas delas parecia ter desaparecido, e a animação tomou conta do desfile, que foi acompanhado por amigos e familiares.

Gorette Milioli, técnica do PTI responsável pela ação, conta que, desde o começo, a oficina foi planejada para promover mudanças. “Queríamos fazer da arte uma ferramenta para a transformação social. E por isso trabalhamos com elas temas como empreendedorismo, qualidade, condução de grupo e finanças”, explica. Nessa ideia de transformação, Gorette diz que o objetivo é que as participantes repliquem o conhecimento em suas comunidades e que continuem produzindo em escala para comercializar.

“A gente aprendeu muito mais com elas do que elas com a gente. Acabamos conhecendo cada uma, percebíamos quando alguém não estava bem, e elas se davam força umas às outras. E fomos notando as mudanças, em casa, em tudo. Algumas pararam de tomar remédio, outras ficavam só em casa, e agora não mais. Não é uma terapia, mas o que a gente pode fazer para melhorar a vida delas, a gente faz”, comenta Gorette.

Aos 65 anos, Jucelina Maria Cruz, a “Nena”, diz que, conforme a idade vai chegando, “vai te levando as pernas, a mente vai enfraquecendo”. Mas, com ela, parece que tem sido diferente. Além de frequentar as aulas da oficina às quintas e sextas-feiras, ela cursa a primeira série do ensino fundamental. “Tem que ter força de vontade para fazer as coisas, e tem que correr atrás”, diz. “E tô aprendendo que é uma beleza. Tem dia que eu choro”. Ela também se emocionou ao falar sobre o artesanato que aprendeu. “Quando via os bordados, eu falava que não ia fazer, achava difícil. E a professora falava 'vai fazer sim'. Quando você faz, não acredita que fez algo tão lindo. Nossas mãos são santas.”

A pescadora Lucinei Modesto dos Santos não sabia nada de artesanato. Dias antes de terminar o curso, já recebia encomendas até de outras cidades do Estado, como Londrina e Paranavaí. “Com pesca você ganha, mas não é o suficiente para manter a casa. E eu tenho quatro netos, todos com menos de 10 anos. Agora, com o que aprendi aqui, já consigo aumentar um pouco a renda. Foi a melhor coisa que me aconteceu”, diz.

Já Márcia Moreti, de 37 anos, conta que, antes de começar a oficina, não tinha muitas amizades. “Eu vivia num mundo à parte. Era bastante isolada, não conversava com ninguém. Agora eu me vejo diferente, acho que nasceu uma nova Márcia”. Segundo ela, foi durante o curso que descobriu uma nova paixão. “Agora pretendo aprender e criar ainda mais.”

Fonte: PTI/Imprensa

Fotos do Kiko Sierich.

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